IA e GEO

Clientes já usam IA para escolher advogado?

Por Diogo Rocha · 11 min de leitura


Resposta rápida: Parte dos clientes já usa IA para pesquisar problemas jurídicos e profissionais. O Cetic.br apontou que 32% dos usuários de internet no Brasil usaram IA generativa em 2025, mas a busca tradicional ainda domina. Não há pesquisa pública brasileira que meça quantos escolhem advogado pela IA; o mais comum é combinar IA, Google e indicação.

Pessoa segurando smartphone, ilustrando clientes que usam IA para escolher advogado
Foto: Jonas Leupe / Unsplash

Resumo

O que se sabe, com dados, sobre clientes usando IA para achar advogado?

Os dados disponíveis mostram que o uso de IA generativa no Brasil já é relevante, mas ainda minoritário frente à busca tradicional. Não encontramos pesquisa pública brasileira que meça especificamente quantas pessoas escolhem advogado por indicação de uma IA.

Essa ressalva é importante porque circulam muitos números sem origem sobre “clientes que só usam ChatGPT”. O que existe são pesquisas sobre uso geral de IA e sobre comportamento de busca, que permitem inferir como o cliente jurídico se comporta, desde que se deixe claro o que é dado e o que é interpretação. Neste artigo, os números vêm de fontes identificadas, listadas ao final.

Para o escritório, a pergunta prática não é “todo mundo já usa IA?”, e sim “quando um cliente usa IA, meu escritório aparece como fonte ou sugestão?”. Esse é o objetivo do trabalho de GEO para advogados, que cuida da presença do escritório em respostas de ChatGPT, Gemini, Perplexity e da Visão geral criada por IA do Google.

O que as pesquisas mostram sobre o uso de IA no Brasil?

A pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, aponta que 32% dos usuários de internet no Brasil usaram ferramentas de IA generativa nos três meses anteriores à coleta. É o dado mais robusto disponível, com amostra nacional e metodologia pública.

FontePeríodoDadoO que indica para o escritório
TIC Domicílios 2025 (Cetic.br)Mar. a set. de 202532% dos usuários de internet usaram IA generativa nos 3 meses anteriores; 84% desses usuários a usaram para fins pessoaisUso relevante e concentrado em questões pessoais, categoria em que entram dúvidas jurídicas do dia a dia
TIC Domicílios 2025 (Cetic.br)Mar. a set. de 2025Uso maior na classe A (69%) e entre quem tem ensino superior (59%)Áreas com público de maior renda, como empresarial e tributário, tendem a ter mais clientes usando IA
Mobile Time/Opinion Box, via CanaltechMar. de 202640% usam só buscadores tradicionais; 25% usam buscadores e IA na mesma medida; 2,2% buscam só em chatbotsA busca tradicional continua dominante; IA soma, não substitui
Mobile Time/Opinion Box, via CanaltechMar. de 2026Cerca de 75% usaram assistentes de IA generativa em 12 meses; 18,7% usam diariamenteMuita gente já experimentou; uso diário ainda é menor
OpenAI e NBER (“How people use ChatGPT”)Publicado em set. de 202549% das mensagens são do tipo “perguntar” (buscar orientação); cerca de 70% do uso é pessoal, fora do trabalhoPedir orientação é o uso principal, e é aí que surgem dúvidas jurídicas

Duas observações sobre a tabela. A pesquisa do Cetic.br e a da Mobile Time/Opinion Box usam metodologias e perguntas diferentes, por isso os percentuais não devem ser comparados diretamente. E o estudo da OpenAI é global, não específico do Brasil.

A IA já substituiu o Google na busca por advogado?

Não. Pelos dados disponíveis, a maior parte das pessoas ainda usa buscadores tradicionais, e o uso de IA aparece como complemento. No levantamento Mobile Time/Opinion Box de 2026, só 2,2% disseram buscar exclusivamente em chatbots.

Além disso, a própria busca do Google passou a incorporar IA. A Visão geral criada por IA chegou ao Brasil em agosto de 2024 e o Modo IA em setembro de 2025. Ou seja, mesmo quem “só usa o Google” já recebe respostas geradas por IA em muitas consultas. A fronteira entre buscar no Google e perguntar para uma IA ficou menos nítida.

Na prática, o escritório precisa das duas coisas: boa presença no Google (resultados orgânicos e Google Maps) e conteúdo que as IAs consigam usar. O artigo sobre onde ChatGPT, Gemini e Perplexity buscam informações mostra que as próprias IAs dependem de índices de busca.

Como o cliente jurídico pesquisa hoje?

O cliente jurídico raramente decide em uma única busca. Ele passa por etapas: percebe o problema, tenta entender o que está acontecendo, procura quem possa resolver e confere se aquele profissional é confiável.

Cada etapa tem ferramentas típicas:

Sobre a etapa de conferência, há um dado do mercado americano que ajuda a ilustrar o comportamento: em pesquisa com 3.000 consumidores dos Estados Unidos, divulgada pela empresa de marketing Scorpion em setembro de 2025, 74% disseram pesquisar o escritório on-line depois de receber uma indicação. É outro país e outro mercado, feito por uma empresa do setor, então serve como indício, não como medida do Brasil.

Em que momento a IA entra na decisão?

A IA entra com mais força na fase de entender o problema e, em menor grau, na de montar uma lista de opções. A contratação em si ainda passa por contato humano: WhatsApp, telefone, reunião.

Isso tem uma consequência direta para o conteúdo. Se o cliente usa a IA para entender o problema, a IA vai buscar páginas que explicam o problema. Um escritório que tem artigos claros sobre “estabilidade da gestante” ou “desconto indevido em benefício do INSS” pode ser citado nessa fase, e o nome do escritório fica associado à explicação que o cliente leu.

Na fase de montar a lista, as IAs com busca ativa cruzam o site do escritório com Perfil da Empresa, diretórios e menções. Aqui pesam dados consistentes e presença em fontes de terceiros, assunto tratado em como fazer o ChatGPT indicar o seu escritório.

Exemplos de perguntas que clientes fazem à IA

As perguntas feitas à IA são mais longas e pessoais do que as digitadas no buscador. O Google relatou que, no Modo IA, as perguntas têm duas a três vezes o tamanho das pesquisas tradicionais. Os exemplos abaixo são ilustrativos, montados a partir de dúvidas comuns em cada área:

Repare que quase todas misturam uma dúvida informativa com uma decisão (“preciso de advogado?”). O conteúdo que responde bem à primeira parte, com honestidade sobre quando procurar um profissional, é o que tem mais chance de ser usado.

O que o escritório deve ajustar diante desse comportamento

O ajuste necessário não é abandonar o Google, e sim garantir que o escritório apareça bem tanto nas buscas tradicionais quanto nas respostas de IA. A sequência abaixo organiza as prioridades.

  1. Mantenha a base de busca local. Perfil da Empresa no Google completo, site indexado e páginas por área e cidade. É por onde a maioria ainda chega.
  2. Libere os rastreadores de IA. Confira no robots.txt se OAI-SearchBot, PerplexityBot, Bingbot e Googlebot têm acesso.
  3. Escreva para a fase de entender o problema. Artigos que respondem às dúvidas reais que chegam no atendimento, com a resposta na primeira frase e referência à lei.
  4. Diga quando procurar um advogado. Explique, com sobriedade, em que situações o caso exige análise profissional. Isso ajuda o leitor e a IA a entender o papel do escritório, sem prometer resultado.
  5. Padronize os dados do escritório. Nome, endereço, telefone e inscrição na OAB iguais em todas as fontes.
  6. Prepare o atendimento para quem chega da IA. O cliente pode chegar com uma explicação pronta, às vezes errada. Responder rápido e corrigir com clareza faz diferença. Vale revisar se WhatsApp ou formulário funciona melhor para o escritório.
  7. Meça a origem dos contatos. Pergunte no primeiro contato como a pessoa encontrou o escritório e acompanhe no analytics visitas vindas de chatgpt.com, perplexity.ai e gemini.google.com.

Esses ajustes também reduzem a dependência de indicação, tema tratado em como captar clientes na advocacia sem depender de indicação.

Quais cuidados éticos valem quando o cliente vem da IA?

As mesmas regras de sempre. O conteúdo que a IA cita é marketing de conteúdos jurídicos e está sujeito ao Provimento 205/2021 do CFOAB.

Na prática: conteúdo técnico e informativo, sem divulgar resultados, clientes ou valores de honorários; nada de expressões como “o melhor advogado” ou comparações; nada de pagar para aparecer em rankings. O Anexo Único do Provimento admite chatbot no atendimento, desde que não afaste a pessoalidade da relação com o cliente. Se o escritório usar um assistente automatizado no site ou no WhatsApp, ele deve encaminhar para o advogado, não dar consulta. O resumo das regras está em o que o Provimento 205/2021 permite no marketing jurídico.

A IA pode passar informação errada sobre o escritório?

Pode. A própria OpenAI avisa que resultados de busca e citações do ChatGPT podem estar incompletos, desatualizados ou incorretos, e o Google também sinaliza que respostas de IA podem conter erros.

Os erros mais comuns envolvendo escritórios são endereço antigo, telefone desatualizado, área de atuação descrita de forma errada ou confusão com outro escritório de nome parecido. Quase sempre a origem é uma fonte desatualizada na web: um diretório antigo, um perfil abandonado, uma página do site que não foi revisada. A forma de reduzir o problema é corrigir a fonte: atualizar o site, o Perfil da Empresa, o Bing Places e os diretórios, e manter uma página “Quem somos” completa.

Checklist rápido: o escritório está pronto para quem vem da IA?

Se a resposta for “não” para algum item abaixo, esse é o ponto a corrigir primeiro. A lista resume o que foi discutido e serve para uma revisão de meia hora com quem cuida do site.

O que ainda não se sabe

Ainda faltam dados públicos, no Brasil, sobre quantas contratações de advogado começam em uma conversa com IA. As ferramentas também não oferecem, por enquanto, relatórios completos de quantas vezes um site foi citado.

Por isso, desconfie de números muito precisos sobre “percentual de clientes que vêm do ChatGPT” sem fonte identificada. O caminho honesto é medir no próprio escritório: origem declarada pelo cliente no primeiro contato, visitas por origem no analytics e testes periódicos com as mesmas perguntas nas principais IAs. Com alguns meses de registro, o escritório passa a ter um dado próprio, que vale mais do que qualquer média de mercado.

A LexRank trabalha com Google Ads, SEO, GEO e sites para escritórios de advocacia, dentro do Provimento 205/2021.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros usam ChatGPT ou outra IA generativa?

Segundo a TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 32% dos usuários de internet no Brasil usaram ferramentas de IA generativa nos três meses anteriores à pesquisa, feita entre março e setembro de 2025. O uso é maior na classe A e entre pessoas com ensino superior.

O cliente confia na indicação de advogado feita pela IA?

Não há pesquisa brasileira específica sobre isso. O comportamento observado é que a pessoa usa a IA para entender o problema e montar opções, mas confere o escritório no site, nas avaliações e nas redes antes de entrar em contato. A decisão final ainda passa por contato humano.

Vale a pena o escritório criar conteúdo pensando em IA?

Sim, desde que seja o mesmo conteúdo útil que serve ao Google e ao cliente: respostas claras, referência à lei e autor identificado. Não existe formato exclusivo para IA. Um bom artigo informativo pode ser citado tanto na Busca quanto em respostas do ChatGPT, Gemini e Perplexity.

Como saber se um cliente chegou ao escritório pela IA?

Pergunte no primeiro contato como a pessoa encontrou o escritório e registre a resposta. No analytics, filtre visitas vindas de chatgpt.com, perplexity.ai e gemini.google.com. O ChatGPT adiciona utm_source=chatgpt.com aos links. Tráfego da Visão geral do Google aparece junto com a Busca.

Fontes consultadas

Escrito por Diogo Rocha, especialista em marketing para advogados na LexRank. Conteúdo informativo, revisado à luz do Provimento 205/2021 do CFOAB. Atualizado em setembro de 2026.

Quer aplicar isso no seu escritório?

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