OAB e Ética

Marketing jurídico e publicidade: qual a diferença para a OAB?

Por Diogo Rocha · 11 min de leitura


Resposta rápida: Para a OAB, marketing jurídico é o conjunto de estratégias planejadas para alcançar objetivos da advocacia, enquanto publicidade é o ato de tornar informações públicas por meios de comunicação. O Provimento 205/2021 permite os dois com conteúdo informativo, discreto e sóbrio, e proíbe a captação de clientela, que é usar o marketing para angariar clientes de forma ativa.

Homem de terno escrevendo em escrivaninha, ilustrando marketing jurídico x publicidade
Foto: Gylain Omer / Unsplash

Resumo

Marketing jurídico e publicidade são a mesma coisa?

Não. Para a OAB, marketing jurídico é a estratégia e publicidade é um dos instrumentos usados para executá-la. As duas definições estão no art. 2º do Provimento 205/2021 do CFOAB, que regula o tema desde julho de 2021.

A confusão é comum porque, no dia a dia, “fazer marketing” virou sinônimo de postar e anunciar. Na norma, porém, marketing inclui decisões que não são publicidade: escolher em que área atuar, como organizar o atendimento, que conteúdo produzir e para quem. Entender essa diferença ajuda a planejar melhor e a identificar onde estão os riscos éticos. O conjunto das regras está no guia do Provimento 205/2021 explicado artigo a artigo, e a aplicação delas numa estratégia completa está na nossa página de marketing para advogados.

Como o Provimento 205/2021 define cada conceito?

O art. 2º do Provimento 205/2021 define oito conceitos que funcionam como dicionário oficial do marketing na advocacia. Estas são as definições, em resumo fiel ao texto:

Note a expressão “independentemente do resultado obtido” na definição de captação. Não importa se o post trouxe ou não clientes: o que caracteriza a infração é a finalidade de angariar clientela de forma ativa.

Qual a diferença prática entre marketing e publicidade?

A diferença prática é que marketing envolve planejamento e posicionamento, que em geral não geram risco ético, enquanto a publicidade é o momento em que a mensagem chega ao público e precisa respeitar as vedações. A tabela compara os dois.

AspectoMarketing jurídicoPublicidade
NaturezaEstratégia planejadaInstrumento de divulgação
ExemplosDefinir áreas de atuação, público, pautas de conteúdo, fluxo de atendimento, metasPost, anúncio no Google, site, cartão de visitas, placa, live
Onde está no provimentoArts. 1º, 2º (I e II) e 4ºArts. 2º (III a VII), 3º, 5º e 6º
Principal riscoPlanejar ações que dependam de captação ou mercantilizaçãoConteúdo com preço, resultado, promessa, superlativo ou ostentação
Quem avaliaO próprio advogado, ao planejarO público e, se houver representação, o TED da seccional

Um exemplo ilustrativo: decidir que o escritório vai publicar um guia sobre revisão de aposentadoria para quem pesquisa o tema no Google é marketing. O texto do guia, o anúncio que o promove e o post que o divulga são publicidade, e cada um precisa ser informativo, discreto e sóbrio, como exige o art. 3º.

Por que a diferença entre publicidade ativa e passiva importa?

Importa porque a publicidade ativa tem restrições que a passiva não tem. O art. 6º do provimento veda, na publicidade ativa, informar dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório e mencionar promessa de resultados.

A distinção também explica decisões do Anexo Único que parecem contraditórias à primeira vista:

A lógica se aplica também a canais que o provimento não cita nominalmente. SEO e blog são publicidade de conteúdos jurídicos que só aparece para quem pesquisou um tema. O Perfil da Empresa no Google aparece para quem buscou um escritório. Em ambos os casos, o comportamento é de publicidade passiva. A aplicação canal a canal em anúncios pagos está em advogado pode anunciar no Google e no Instagram.

O que é captação de clientela e por que ela é vedada?

Captação de clientela é usar mecanismos de marketing para angariar clientes de forma ativa, e ela é vedada porque a advocacia não é atividade mercantil. O art. 39 do Código de Ética e Disciplina (Resolução CFOAB 02/2015) diz que a publicidade deve ter caráter meramente informativo e não pode configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.

Na prática, captação aparece quando a mensagem sai do “informar” e vai para o “convencer a contratar”. Alguns sinais:

A cartilha do Comitê Regulador do Marketing Jurídico (2024) segue a mesma linha: admite botões de contato e links para WhatsApp, mas veda expressões como “contrate nossos trabalhos” e a oferta de consultoria gratuita como forma de captação.

Como classificar as ações mais comuns de marketing?

A maioria das ações de marketing digital pode ser classificada em publicidade passiva, publicidade ativa permitida com restrições ou prática vedada. A classificação abaixo é uma leitura do art. 2º e do Anexo Único do Provimento 205/2021, organizada para consulta rápida.

AçãoClassificaçãoCondição ou motivo
Artigo de blog otimizado para o GooglePublicidade de conteúdo, alcance passivoConteúdo técnico e informativo
Anúncio no Google para busca “advogado de família”Publicidade passivaResponde a busca do cliente; texto ético
Perfil da Empresa no GooglePublicidade profissional, alcance passivoInformações objetivas, sem preço nem superlativo
Post orgânico no InstagramPublicidade de conteúdoSem casos, resultados, preço ou ostentação
Post impulsionadoPublicidade ativaSó conteúdo informativo, sem oferta de serviços
Live ou entrevistaPublicidade de conteúdoSem casos concretos ou resultados (art. 5º §3º)
Newsletter para clientes que se cadastraramPublicidade passivaPúblico consentiu; sem caráter mercantil
E-mail para lista compradaVedadaMala direta indiscriminada (Anexo Único)
Mensagem em massa no WhatsApp para desconhecidosVedadaCaptação ativa; o Anexo só admite grupos das relações do advogado
Pagar para aparecer em rankingVedadaArt. 5º §1º
Curso para advogados anunciado ao públicoPublicidade ativa permitidaArt. 4º §4º admite para público de advogados e estudantes

A tabela mostra por que a mesma plataforma pode aparecer em linhas diferentes. O Instagram é permitido para conteúdo e restrito para oferta; o e-mail é permitido para quem consentiu e vedado para listas indiscriminadas. O que define a classificação é o público alcançado e a finalidade da mensagem, não a ferramenta.

Onde entram SEO, GEO e Google Ads nessa classificação?

SEO, GEO e Google Ads na rede de pesquisa se encaixam na lógica da publicidade passiva e do marketing de conteúdos, porque dependem de alguém procurar ativamente uma resposta. Por isso são estratégias compatíveis com o provimento, desde que o conteúdo respeite as vedações.

SEO (otimização para mecanismos de busca) é o trabalho para que as páginas do escritório apareçam nos resultados orgânicos do Google e do Bing. GEO (otimização para motores generativos) é o trabalho para que o conteúdo seja usado como fonte em respostas de IA, como a Visão geral criada por IA do Google, o ChatGPT, o Gemini e o Perplexity. Em ambos, o que o público encontra é conteúdo jurídico informativo, publicado em resposta a uma pergunta. A diferença entre as duas disciplinas está em o que é GEO e qual a diferença para SEO.

Como planejar o marketing do escritório respeitando essa diferença?

O planejamento mais seguro começa pela estratégia e só depois define as peças de publicidade, revisando cada uma pelas vedações. Um roteiro possível:

  1. Defina objetivos e áreas: em quais áreas o escritório quer crescer e em quais cidades atende.
  2. Mapeie as perguntas do público: o que as pessoas pesquisam antes de procurar um advogado nessas áreas.
  3. Priorize canais passivos: site, blog, SEO, Perfil da Empresa no Google e Google Ads na pesquisa respondem a quem já está procurando.
  4. Use canais ativos só com conteúdo: redes sociais e impulsionamento para distribuir explicações jurídicas, sem oferta de serviço.
  5. Revise cada peça: sem preço, gratuidade, resultado, promessa, superlativo, ostentação ou lista de clientes.
  6. Identifique o profissional: nome e número da OAB em todos os canais, como exige o art. 44 do Código de Ética.
  7. Meça por contatos, não por alcance: acompanhe quantas pessoas procuraram o escritório e por qual canal.

Esse raciocínio é o mesmo usado para reduzir a dependência de indicações, tema de como captar clientes na advocacia sem depender de indicação. A LexRank trabalha com Google Ads, SEO, GEO e sites para escritórios de advocacia, dentro do Provimento 205/2021.

Quem responde pela publicidade feita por uma agência?

Responde o advogado ou a sociedade identificados na publicidade. O art. 1º §1º do Provimento 205/2021 atribui a responsabilidade pelas informações às pessoas identificadas, e o §2º exige que elas comprovem a veracidade do que foi divulgado quando solicitadas.

Isso tem efeito direto na contratação de fornecedores. Terceirizar o marketing não transfere a responsabilidade ética: o post criado pela agência, o anúncio escrito por um freelancer e o texto gerado automaticamente pela plataforma de anúncios são publicidade do escritório. Por isso vale definir por escrito o que não pode entrar nas peças, aprovar o conteúdo antes da publicação e guardar o histórico das aprovações.

Quais confusões mais comuns entre marketing e publicidade?

A confusão mais comum é achar que, como o marketing é permitido, qualquer técnica de marketing também é. O art. 1º do provimento autoriza o marketing jurídico apenas quando compatível com os preceitos éticos.

Perguntas frequentes

O que é marketing de conteúdo jurídico?

Marketing de conteúdo jurídico é a estratégia de criar e divulgar conteúdo jurídico para informar o público e consolidar a imagem profissional, conforme o art. 2º do Provimento 205/2021. Artigos de blog, vídeos explicativos e posts educativos são exemplos. O conteúdo deve ser técnico e informativo, sem resultados, clientes, valores ou gratuidade.

Publicidade ativa é proibida para advogados?

Não. O Provimento 205/2021 admite publicidade ativa, mas com restrições extras: o art. 6º veda informar estrutura física do escritório e prometer resultados, e o impulsionamento nas redes não pode conter oferta de serviços. Mala direta indiscriminada, que também é ativa, é expressamente vedada pelo Anexo Único.

Google Ads é publicidade ativa ou passiva?

Na rede de pesquisa, o Google Ads funciona como publicidade passiva, porque o anúncio só aparece para quem digitou uma busca. Por isso o Anexo Único do Provimento 205/2021 permite a compra de palavras-chave quando responsiva a uma busca iniciada pelo potencial cliente, com termos em consonância com a ética.

Qual a diferença entre publicidade e captação de clientela?

Publicidade é tornar informações públicas, e a da advocacia deve ser informativa, discreta e sóbria. Captação de clientela é usar marketing de forma ativa para angariar clientes, independentemente do resultado, segundo o art. 2º do Provimento 205/2021. A publicidade é permitida; a captação é vedada pelo art. 39 do Código de Ética.

O Provimento 205/2021 substituiu qual norma?

O Provimento 205/2021 revogou o Provimento 94/2000 do CFOAB, que regulava a publicidade dos advogados antes das redes sociais. A revogação está no art. 12. O novo provimento foi aprovado em 15 de julho de 2021, publicado em 21 de julho de 2021, e complementa os arts. 39 a 47 do Código de Ética e Disciplina.

Fontes consultadas

Escrito por Diogo Rocha, especialista em marketing para advogados na LexRank. Conteúdo informativo, revisado à luz do Provimento 205/2021 do CFOAB. Atualizado em setembro de 2026.

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